29.12.05

NY POSTVIEW / LEITURAS DE 2005


Dal Co, Francesco, Il Tempo e l'Architetto - Frank Lloyd Wright e il Guggenheim Museum, Martellago, Electa, 2004.
Koolhaas, Rem,
Delirious New York, 1978 (edição castelhana: Delirio de Nueva Iorque, Barcelona, Editorial Gustavo Gili, SA, 2004)

Dada a predominância de Nova Iorque no meu ano de 2005, destaco dois magníficos livros sobre a cidade. O primeiro relata a "anti-conformística bravura" de Wright com os poderes instítuidos e acompanha o seu projecto inovador para um "templo da arte não-objectiva" desde a sua génese. Dal Co apresenta-nos esta obra-prima do século XX como o resultado de uma longa e maturada reflexão sobre os espaços expositivos e uma irónica resposta à lógica post and beam nova-iorquina: o museu Guggheim insere-se na malha urbana como a "materialização de uma radical alteridade" e, sobretudo, representa o desprezo do mais americano de todos os arquitectos pela cidade mais ocidental e europeia dos Estados Unidos (povoada desde a Guerra pelos german-refugge architects) e por todas as suas instituições. O movimento ascendente, no edifício de Wright, não é um fim em si mesmo: na verdade, é apenas o começo, e este pequeno pormenor é um conceito radicalmente oposto ao que Manhattan impõe prosaicamente a todos os edifícios que acolhe.

O segundo livro é um delirante exercício de escrita de Koolhaas (segundo o próprio, "perdeu-se um excelente argumentista") que funciona como um manifesto retroactivo para a cidade de Nova Iorque. No fundo, estamos perante a revelação de uma teoria que sempre existiu -desde Coney Island - mas que nunca ninguém deu por ela, ou pelo menos da qual ninguém reclamou o legado . Dreamland, Flatiron, Empire State, Waldorf-Astoria, Rockefeller Center, todos fazem parte de uma e mesma linhagem genética que se foi desenvolvendo e aperfeiçoando ao longo de (poucos) anos de incontida euforia tecnológica.
"Existem uma série de estratégias: a grande lobotomia, a separação vertical, uns cálculos imobiliários que se orientaram, desde a década de 20, a demonstrar o impossível. E existe uma indústria de edificação que está especializada em construir tudo isso. Finalmente, existe a doutrina do manhattismo: a creação de congestão a todos os níveis possíveis." (tradução livre)