"Porque o mundo é monstruoso. Porque o mundo não pode levar o homem senão ao desespero, e um desespero tão total, tão absoluto, que não há nada que possa abrir a porta desta prisão que é a ausência de toda e qualquer esperança(...). A ideia de que uma criança sofre, portanto, é mostruosa para ele. É ainda mais monstruosa do que a monstruosidade do próprio mundo. Porque rouba ao mundo o seu único consolo e, pelo facto de um mundo poder ser imaginado sem consolação possível, ela é monstruosa."
"«É verdadeiramente espantoso», escreveu ela, apenas três semanas antes da prisão,«que eu não tenha abandonado todos os meus ideais, porque, de facto, eles parecem absurdos, irrealizáveis(...) Vejo o mundo a transformar-se gradualmente numa selva, ouço, cada vez mais perto, o trovão que vai destruir-nos também a nós, sinto em mim os sofrimentos de milhões de pessoas e, no entanto, quando contemplo o céu, penso que tudo isto acabará em bem, que mesmo esta crueldade terá um fim....»".
Os dois pensamentos estão no Livro da Memória, mas no segundo Paul Auster cita o Diário de Anne Frank. Para reflectir , 60 anos depois....