28.2.05
AND THE OSCAR GOES TO...
24.2.05
RUÍNAS

tivoli, maio de 2003
Ambas (...) se continuam a espelhar na sua extraordinária e complementar eternidade, uma intemporal, a outra puramente imperial. E ambas sonham uma com a outra. Roma, com ser perfeita e nunca destronada do seu império, como a Vila Adriana. A Vila Adriana, com ser viva como Roma."
Armando Gnisci, Roma Como Sistema de Ruínas
20.2.05
TORRES

A imagem vem publicada no jornal Público de 19.02.2005 e ilustra um debate sobre construção em altura. Mas poderia também ilustrar o meu post sobre a polémica em torno das torres de Alcântara, com um projecto de Álvaro Siza (em cima) que não respeita o PDM e o projecto alternativo de Mário Sua Kay (em baixo) que respeita as cérceas máximas previstas, ou seja, os oito pisos.As imagens valem por mil palavras. Qual liberta mais espaço verde de usufruto público? Qual constitui uma verdadeira "barreira" em frente ao Tejo? Qual procura uma relação com a especificidade do lugar, nomeadamente a escala da ponte 25 de Abril? Qual procura "construir" um lugar, respeitando-o mas modificando-o? Qual é o mais sustentável? E...qual é que não é ridículo?
15.2.05
PARA UMA DISCOGRAFIA : ALMAS ATORMENTADAS

Nick Cave & The Bad Seeds, The Boatman's Call, 1997, Mute Records.
13.2.05
THE GATES

Depois dessa data, tudo será desmontado e reciclado: "Todos os adultos dão uma enorme importância à infância porque sabem que é uma coisa maravilhosa que passa depressa e nunca mais se repete", diz Christo; no parque, não restará o mais ínfimo vestígio dos 7500 portões construidos com tubos plásticos de vinil ou dos 90 000 metros quadrados de tecido cor de açafrão; a experiência é efémera e irrepetível, tal como um passeio num jardim salpicado de tons ocres outonais....Mas é sem dúvida uma obra de arte, aberta e transitiva tal como I. Solà-Morales a entende na época contemporânea, e permanecerá como um monumento, enquanto noção ligada "al gusto de la poesía después de haberla leído, al sabor de la música después de haberla oído, al recuerdo de la arquitectura después de haberla visto." Ou a força da arte enquanto algo tangencial e débil....
12.2.05
RICORDI VENETI

A primeira imagem com que fiquei da cidade foi um cenário labiríntico onde se desenrolava um tremendo jogo de obstáculos (ao estilo "Jogos Sem Fronteiras") no qual nós éramos os participantes, e que a nossa tarefa era fazer chegar a bagagem a uma casa para as bandas do Rialto, onde um desconhecido espanhol nos esperava até à meia-noite, visto já ter planos para depois dessa hora. Cada ponte que tinha de atravessar significava, pelo menos, três viagens, pois não conseguia carregar as duas malas simultaneamente (e as das costas também pesavam!) o que multiplicava o "sobe-e-desce" constante. As rodinhas da Samsonite não se conseguiam adaptar ao pavimento irregular da cidade, as roupas que vestíamos eram exageradas para o início de Outono veneziano, nas ruas não se via "viv'alma", suspeitava que os meus colegas já não se recordassem do caminho (suspeitas infundadas, por sinal) e tinha a certeza que aquela seria a pior solução para chegar a casa....até que o cansaço nos venceu e eu deixei de pensar.
Encostei-me a um poço. A Clara fez o mesmo. Ficámos ali estendidos com todas as malas. O Pedro e o Hugo apressaram o passo, para encontrarem a casa e pedir ajuda ao espanhol para transportar parte das nossas embambas. O poço onde nos tínhamos sentado ocupava uma posição central no campo, de proporções reduzidas mas agradáveis. Ouvia-se o barulho agitado das águas do canale que o atravessava discretamente, num dos seus extremos. Aquele foi o primeiro espaço de Veneza a ficar guardado na minha memória, depois de quase uma hora a andar a pé.
7.2.05
NOITE DOS MASCARADOS
Adivinhe, se gosta de mim
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:
Quem é você, diga logo
Que eu quero saber o seu jogo
Que eu quero morrer no seu bloco
Que eu quero me arder no seu fogo
Eu sou seresteiro
Poeta e cantor
O meu tempo inteiro
Só zombo do amor
Eu tenho um pandeiro
Só quero violão
Eu nado em dinheiro
Não tenho um tostão
Fui porta-estandarte
Não sei mais dançar
Eu, modéstia à parte
Nasci pra sambar
Eu sou tão menina
Meu tempo passou
Eu sou Colombina
Eu sou Pierrot
Mas é carnaval
Não me diga mais quem é você
Amanhã, tudo volta ao normal
Deixe a festa acabar
Deixe o barco correr
Deixe o dia raiar
Que hoje eu sou
Da maneira que você me quer
O que você pedir
Eu lhe dou
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser
Seja você quem for
Seja o que Deus quiser.
Chico Buarque
6.2.05
RICORDI VENETI
"(...) As línguas naturais dizem sempre algo a mais em relação às linguagens formalizadas, implicam sempre uma quantidade de rumor que perturba a essencialidade da informação; (...)"
e até para a contradição
"(...) ao dar conta da densidade e continuidade do mundo que nos rodeia, a linguagem revela-se lacunar e fragmentária, diz sempre algo a menos em relação à totalidade do experimentável."
e que me recorda uma frase de Mário Cesariny, muito realista e muito desencorajadora, mas que terá que aparecer necessariamente como mais uma possível epígrafe para os ricordi veneti:
"Porque as coisas fundamentais, as coisas que são fundamentais na vida de cada um, não se podem passar à escrita ou à pintura. Chegam de uma forma tão sublimada que já não é o vivido, o acontecido, que lá fica. O que resta é a maneira como se conta e isso é a forma e não o facto."




