29.6.05

GRANDE CONFUSÃO...

...que vai também em cima do meu estirador! Uma pilha de apontamentos, fotocópias, capas e trabalhos que estão ali porque não sei o que lhes hei-de fazer; uma pilha de livros - as viagens de Goethe, os pensamentos de Benjamin, uma monografia de Ando, uma colectânea de arquitectura portuguesa dos anos 60, um livro sobre Maputo e outro sobre a Paris Haussmaniana (gentilmente emprestados), outra pilha, imediatamente ao lado, que ameaça crescer - um manual de Photoshop, a Pública de 12.06.2005, escritos de Álvaro Siza, escritos de Chillida; um martelo de S.João; um bilhete de metro e um cartão em branco; um discman leitor de mp3; um telemóvel e uma carteira; dois convites de casamento (para o mesmo dia!); uma caneta; um monte de facturas em cima do scanner; um monte de artigos de jornal; um pisa-papéis com três pinguins no gelo e um calendário do ano corrente; newsletters da OA e programas das exposições em Serralves; um objecto estranho que veio de Burgos; uma caneta de aparos e um objecto que servia para abrir os livros; e eu próprio, a olhar para esta natureza-morta.
Bem se vê que não o tenho utilizado para trabalhar...tempos houve em que bastava esticar uma folha e espalhar as lapiseiras e os lápis de cor para que a sua superfície me parecesse suficientemente ocupada...

22.6.05

CADERNO DE VIAGENS 010


porto, agosto de 2004

Porque o regresso também faz parte da viagem, o meu Porto está sempre presente nos cadernos de viagens. E amanhã há S.João!

19.6.05

PARA ABRIR O APETITE...

...de NY City, recomendo esta visita ao site do Le Monde: um portfolio de fotografias da cidade acompanhado de uma banda sonora pop!

RICORDI VENETI / ASHES AND SNOW



A primeira vez que Gregory Colbert expôs as suas fotografias de viagem foi em Veneza, no portentoso edifício do Arsenale. Fundado em 1104, era na Idade Média o maior estaleiro naval da Europa - chegava a ocupar 20% da superfície da cidade e permitia uma capacidade de construção de 80 galeras. No entanto, o Arsenale começou com umas dimensões modestas e só no século XIV conheceu a primeira expansão - Arsenale Nouvo - a que se seguiu, a partir de 1473, a segunda fase de expansão e reorganização - Arsenale Nouvissimo. As muralhas de tijolo que delimitam o enorme recinto apenas se concluem no século XVI.
A exposição Ashes and Snow estava montada num dos edifícios desta última fase: a Casa del Canevo (as "corderie") projectada por Antonio da Ponte em 1579. A enorme nave de 315 metros de comprimento estava practicamente na penumbra e as fotografias estavam intervaladas pelas colunas que sub-dividem o espaço em três. Este espaço inspirou-o para o Museu Nómada, que acolhe unicamente esta exposição para um itinerário internacional. O edifício, concebido pelo arquitecto japonês Shigeru Ban, inspira-se directamente na monumental nave do Arsenal, mas desta vez, no lugar da pedra e da madeira, as colunas e a estrutura da cobertura são rolos de papel de dimensão industrial, e as paredes são compostas por contentores industriais sobrepostos. A transposição das características do edificio quinhentista para uma arquitectura "nómada" e pós-moderna, de carácter efémero, é extremamente bem conseguida.

Quando saímos do Arsenale, naquela tarde primaveril, e percorremos a riva até S.Marcos debaixo de um sol que convidava à preguiça, as nossas cabeças iam por certo nas nuvens e eu sentia-me leve como a personagem que dançava com o cachalote ou ainda como a outra que nadava com o elefante...

14.6.05

PARA UMA DEFINIÇÃO DE ARQUITECTURA,

ou para uma definição do papel do arquitecto, discussão mantida por outras paragens. Ao tirar apontamentos do livro de entrevistas com o escultor basco Eduardo Chillida (de Ugalde, Martin: Hablando Con Chillida - Vida Y Obra, S.Sebastian, Editorial Txertoa, 2002) regressei à discussão sobre a diferença entre um arquitecto e um artista, ou um técnico e um artista. Em que limbo nos situamos? Qual é a nossa "thin red line" e sobretudo, qual dos caminhos devemos seguir?
Chillida começa um trabalho desconhecendo o caminho que vai percorrer - trabalha em direcção ao desconhecido, indaga, inventa; necessariamente tropeça e fracassa, por vezes. Segundo ele, este deve ser o âmbito de um artista: marcher le front contre la nuit (René Char). As nossas obras não são respostas, são perguntas. O técnico, por sua vez, é aquele que sabe o que tem de fazer desde o início , e não falha a execução do seu trabalho. Repete e repete-se.
As maravilhosas esculturas em betão de Chillida são fruto de vários anos de "pensamento mental" sobre as possibilidades específicas do material. Mas a 1 de maio de 1998 os cabos que suportavam o Elogio del Agua colapsaram e a escultura deixou de pairar sobre a água do parque de Creueta de Coll....e se vivesse alguém debaixo daquela massa de betão?

12.6.05

CHILLIDA


san sebastian, agosto de 2004

"Me gustaba mucho caminar solo detrás de Igueldo, por las rocas, viendo romperse a la mar a veces furiosa que amansa esas rocas que somos un poco nosotros... un poco erosionados ya pero dando la cara, defendiendo la terra y también el alma de las cosas".
Eduardo Chillida

4.6.05

METRO

Começo-me a aperceber que o metro do Porto não faz sentido nenhum. Devo ter andado distraído este tempo todo, ou então o meu raciocínio é demasiado lento. Mas de facto, olhando para o diagrama com as quatro cores (correspondendo cada uma à sua linha) concluo: não faz sentido! Não teria sido bem mais inteligente - e económico - pensar a mobilidade num esquema concêntrico, que considerasse três "anéis" servidos de acordo com a escala e as características das diferentes zonas da área metropolitana?
O primeiro anel podia ser servido pelo eléctrico, aproveitando o plano de mobilidade proposto pela Porto 2001 e teria os seus limites no rio (a sul), na praça da Republica (a norte), no hospital de Santo António (a poente) e na rua de Santa Catarina (a nascente). O segundo anel teria que ser servido pelo metro, considerando troços à superfíce e subterranêos . Artérias como a Avenida da Boavista, a rua do Campo Alegre, a rua Júlio Dinis/D. Manuel II, a rua da Constituição, a Avenida Fernão Magalhães seriam "obrigatoriamente" servidos pelo metro, muito mais de acordo com a escala da cidade "pós-Almadas". Poderia ainda fazer uma importante ligação com Matosinhos, Maia e Gondomar através de uma remodelação profunda da "estrada" da Circunvalação e com Gaia através da ponte Luiz I / Avenida da Republica. Por fim, o terceiro anel compreenderia Vila do Conde, Póvoa do Varzim, Espinho e Valongo, servidos evidentemente por comboios sububanos, mais económicos e eficazes. Em cada uma das "zonas de contacto" dos três anéis, interfaces e parques de estacionamento.

2.6.05

2 IMAGENS PARA PORTUGAL, HOJE



A primeira é de Paulo Nozolino, e está actualmente exposta no museu de Serralves (Sagres, 1984). "Escolho para fotografar a onda que já morreu, que não faz mais do que recuar e esperar que a próxima venha. No fundo, era o estado do país nos anos oitenta e continua a ser o de agora." As palavras são do próprio fotógrafo, e constituem uma reflexão sobre um país que ainda vive "hoje a pensar no século XVI".

A segunda é de João Tabarra, e retirei-a de uma edição já com alguns anos da revista Número. No seu editorial, podia-se ler: "(...)uma excelente metáfora/metonímia "trágico-cómica" do Portugal contemporâneo. Um país que olha para as ondas do mar como um rei nostálgico, sem a coroa e com um manto feito de toalhas de praia...um país saudoso/melancólico com um passado pretensamente grandioso, porém um país com uma imagem quase burlesca..."